CPI da Cemig investiga e interroga executivos sobre espionagem na estatal

Vice-presidente da CPI da Cemig e um dos principais nomes da comissão, deputado Professor Cleiton (PSB), disse que já existe um conjunto de provas que permitem indiciamentos e pedidos de prisão.

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) interrogou e segue investigando sobre possíveis espionagens na estatal. Nesta segunda (13), a CPI, na qual o deputado estadual Professor Cleiton (PSB) é vice-presidente, ouviu – nas condições de testemunhas, a assessora da Diretoria de Regulação e Jurídica Virginia Kirchmeyer Vieira, e o ex-superintendente jurídico Thiago Ulhoa Barbosa.

Vale ressaltar que, ambos estariam envolvidos em uma rede de intrigas na área jurídica da Cemig e que teria resultado até em um episódio de espionagem de quem se opunha à flexibilização dos mecanismos de controle que impediriam a assinatura de contratos bilionários sem licitação.

A trama foi revelada na tarde da última quinta-feira (9) pelo ex-titular da Gerência de Direito Administrativo da Cemig, Daniel Polignano Godoy, que, ainda no exercício do cargo, teve seu computador invadido e arquivos copiados por agentes da Kroll Associates Brasil, empresa especializada em investigações corporativas.

A empresa, que já é suspeita de espionar deputados estaduais, não tinha sequer um contrato firmado que garantisse a confidencialidade das informações obtidas, conforme informou à CPI da Cemig o ex-executivo espionado.

Ao saber do episódio, os deputados lembraram que a Cemig é uma das principais empresas de energia do País, que disputa um mercado acirrado e tem até ações listadas na Bolsa de Nova Iorque (EUA), o que torna temerário qualquer vazamento de informações sensíveis.

Em sua fala, o ex-superintendente Jurídico Thiago Barbosa – que vale enfatizar – seria o chefe imediato de Daniel, disse não saber de nada, mesmo com aparente apoio da Diretoria Jurídica aos investigadores da Kroll. Estes, no entanto, deixaram um formulário no computador de Daniel informando a vistoria no equipamento, o que levantou as suspeitas de Daniel, que, como advogado da Cemig, apurou então que a Kroll não tinha contrato ainda com a companhia e, depois, obteve o vídeo incriminador.

Professor Cleiton questionou Thiago Ulhoa se seu computador também foi investigado pela empresa de São Paulo, assim como ocorreu com seu subordinado à época, ex-titular da Gerência de Direito Administrativa da Cemig, Daniel Godoy. Segundo Ulhoa, no primeiro momento, ao saber do fato, procurou o novo diretor jurídico, Eduardo Sales, que disse não saber da investigação. No entanto, tempos depois, descobriu que a própria assessora de Eduardo acompanhou o investigador, conforme mostrou imagens de câmeras.

“Eduardo Soares me disse, porém, no dia da minha demissão, que eu não era investigado, e que a investigação dos computadores pela Kroll era algo maior e envolvia área de suprimentos” – respondeu Thiago ao deputado Professor Cleiton.

Vice-Presidente da CPI da Cemig e um dos principais nomes desta comissão, Professor Cleiton retomou a questão de inexigibilidades voltadas à estatal. Segundo o parlamentar, nas investigações, foi possível observar que alguns prestadores de serviços enviaram suas propostas para pessoas “estranhas” (que não fazem parte do quadro de colaboradores da Cemig e que, depois, foram contratados).

O deputado ainda citou dois exemplos deste tipo de inexigibilidades. O primeiro deles sobre o escritório França Nunes, que enviou proposta para o escritório Thomaz Bastos e foi contratado pela Cemig. Outro exemplo envolve a EXEC, que enviou proposta para o senhor Evandro Negrão, secretário do Partido Novo, e foi contratada pela Cemig.  Ao ser questionado sobre tal fato, Thiago optou pelo direito de não responder.

Assessora da Diretoria de Regulação e Jurídica responde irregularidades

A assessora da Diretoria de Regulação e Jurídica Virginia Kirchmeyer Vieira, que foi flagrada por câmeras acompanhando “espiões” da empresa de São Paulo, especializada em investigações corporativas, pelos corredores da Cemig na madrugada do dia 4 de dezembro de 2020 também foi ouvida. Vale ressaltar que, nesta mesma data, ex-titular de Gerência de Direito Administrativo da Cemig, Daniel Godoy, teve seu computador invadido.

Questionada pelo deputado Professor Cleiton sobre quem solicitou seu acompanhamento ao funcionário da empresa de São Paulo – sem contrato – para investigar os computadores da Cemig, Virginia contou que foi o diretor de Serviços Compartilhados da Empresa, Hudson Félix.

“Acompanhei o empregado da Kroll para extração de informações de equipamentos da Cemig, para dar sustentáculo a investigações a pedido do Ministério Público, a respeito de fatos na área de compras na empresa” – disse Virginia.

Em novo questionamento, Professor Cleiton perguntou sobre quantos e quais computadores foram interceptados pela empresa de investigações de São Paulo, porém Virginia não respondeu. Segundo ela, “isso pode atrapalhar” as investigações. No entanto, ainda conforme a assessora, a investigação nos computadores aconteceu por volta das 20h30. Fato que gerou critica de Professor Cleiton, para ele, “não se pode normalizar invasão de computadores, por empresa sem contrato, de pessoas não investigadas, inclusive”.

Mesmo com várias perguntas realizadas pelo deputado durante a CPI, poucas foram as respostas de Virginia. O deputado questionou, por exemplo, quem ou qual departamento da Cemig é responsável pelo controle de legalidade das investigações procedidas pelas empresas Terra Tavares Ferrari Elias Rosa, Sampaio Ferraz e Kroll. Segundo a assessora, as empresas foram contratadas pelo setor de compras.

Em relação ao trabalho de consultoria elaborado em 2019, pela Boston Consulting Group para o Governo de Minas, onde havia diretrizes para substituir gestores de carreira da Cemig por profissionais vindos do mercado privado, “quebrar o telhado de vidro da Cemig”. Virginia disse que não teve conhecimento dessa diretriz.

Foto: Guilherme Dardanhan/ALMG

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