Superando a pandemia

Por: Prof. Paulo César de Oliveira

O professor Boaventura de Sousa Santos afirma que a pandemia da COVID 19 desvelou a fragilidade dos sistemas de saúde e as já conhecidas desigualdades sociais. Dessa forma, as Ciências Humanas e Sociais são instigadas a se debruçarem para compreenderem a pandemia para além das ciências médicas tradicionais. 

A experiência educacional vivenciada, na pandemia, por educadores e estudantes tem nos levado à percepção de que reinventar o processo ensino-aprendizagem é a saída mais viável durante a pandemia da COVID-19. Saberes e metodologias foram re-significadas nas universidades e nas realidades associativas.

O desafio foi sempre pensar o conhecimento e a qualidade das nossas instituições frente ao ordenamento neoliberal, a mercantilização da saúde e da educação. Isto porque a pandemia da COVID – 19 evidenciou a falta de investimento em áreas prioritárias. Isso se refletiu na gestão e no combate ao vírus.

O que muitos docentes e discentes fizeram foi demonstrar que é possível ressignificar um processo, mesmo em condições sanitárias, psicológicas e econômicas desfavoráveis.

Agora, com a possibilidade do assim chamado retorno à normalidade, ressalta o pensador português, lamentavelmente, percebemos que não está sendo igual para todos. É duro constatar que a quarentena não só tornou mais visíveis as desigualdades, como reforçou a injustiça, a discriminação, a exclusão social e o sofrimento dos excluídos. Estar no mesmo mar não significa que estejamos no mesmo barco. Sem dúvida, a pobreza e a pobreza extrema aumentaram… E a única alternativa possível aos docentes e discentes reflexivos é um movimento de uma nova articulação, que pressuponha uma virada epistemológica, cultural e ideológica que sustente as soluções políticas, econômicas e sociais, visando a garantia da continuidade da vida humana no planeta.

Autores clássicos foram retomados, na pandemia, na sua singeleza. Paralelamente ao cuidado com a saúde, desenvolvemos uma solidariedade na dor com as mortes que assolaram famílias. Reforçamos a necessidade de uma ação formativa e emancipadora, visando o desenvolvimento social e cultural das classes menos favorecidas utilizando uma metodologia de educação para a paz, o diálogo e à luta não violenta pelos direitos humanos.

Não precisamos ser pedagogos, nem mesmo sociólogos nem tão pouco políticos, para desenhar um percurso de pesquisa-ação fundamentado sobre a auto e hetero-reflexão e encontrar, rigorosamente juntos, respostas às questões e aos problemas urgentes colocados pela própria população mediante momentos coletivos de diálogo. Não dá para privatizar a doença e a morte! Elas nos pertencem, bem como a ciência e as alternativas que buscamos para que a vida seja digna para todos!

Foto: Pixabay

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